Histórias de BH

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João Gilberto foi jantar na Lagoinha! - Roberto Guimarães

Uma das vezes em que o João veio fazer um show em Belo Horizonte, durante uma grande festa no Iate Clube à beira da lagoa da Pampulha, aconteceram alguns fatos engraçados que retratam a maneira diferente de ser do cantor e que merecem ser contados. O show era num sábado à noite e João e Astrud chegaram do Rio pela manhã, ficando hospedados no Hotel Normandy, no centro da cidade. Logo no começo da tarde, eu e Pacífico fomos ao hotel para estar com eles em sua curta estada na cidade, passando uma boa parte da tarde conversando e principalmente ouvindo o João cantar e contar as novidades. O show estava programado para as dez horas e combinamos apanha-los no hotel lá pelas oito, para jantar e seguir em direção ao clube da Pampulha. Chegando ao hotel na hora combinada, no fusquinha do Pacífico, saímos procurando um restaurante para jantar, com muitas poucas opções naqueles idos de sessenta, pois a vida noturna de Belô era restrita ao centro da cidade, com poucas casas que funcionavam à noite e que pudessem agradar ao João e Astrud. Depois de várias paradas na frente de alguns restaurantes, nas quais o João nem descia do carro, olhando desconfiado pela janela e dizendo”não gostei desse, esse está muito cheio” e outras refugadas deste tipo, começamos a ficar preocupados, pois o tempo ia passando, quase chegando a hora do show e nada de jantar. Resolvemos enfim nos dirigir em direção a Pampulha, pela Avenida Antonio Carlos, a ver se descobríamos alguma coisa.
Para quem conhece Belo Horizonte, principalmente àquela época, sabe que aquela área do bairro da Lagoinha e Cachoeirinha era uma região muito simples, povoada apenas de pequenos bares e botequins, portanto eram muitas poucas as chances de conseguirmos jantar aquela noite. Até que passamos em frente de um restaurante chamado Mazito , que era bastante conhecido pelos freqüentadores da noite e tinha uma peculiaridade: cada mesa era cercada por um reservado de madeira a meia altura e com uma porta de vai-vem, e foi lá que finalmente paramos, o João gostou do lugar porque sua privacidade estaria totalmente preservada. Agora a dificuldade era encontrar no cardápio o que agradasse a ele, que queria uma comida mais leve, propícia a quem iria cantar dali a pouco. Até que finalmente pediu ao garçom uma sopa, que tomou devagar, tampando o nariz a cada colherada, dizendo que “era para não engolir ar para não atrapalhar na hora de cantar”.
Pouco antes de começar o show, já nos bastidores do palco onde tínhamos chegado atrasados, o João me pediu que arranjasse um Dó, pois queria afinar o violão no diapasão, o que não pude atender, pois infelizmente não possuo ouvido absoluto. Mas o que importa é que o show foi um sucesso, que tivemos o privilégio de assistir e que hoje me permite contar, nesta deliciosa historinha que faz parte do meu acervo de boas memórias. E de lá fomos para a casa do Pacífico, onde ficamos até de madrugada conversando e escutando o João cantando e acompanhando a Astrud em algumas músicas, com uma voz e interpretação maravilhosas e que não conhecíamos, uma delas a inesquecível There will never be another you.

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