Histórias de BH

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Belo Horizonte: Cidade Sanatório -

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Na foto, o Sanatório Minas Gerais, hoje Hospital Alberto Cavalcanti, no bairro Padre Estáquio.

 

 

Durante muitos anos a tuberculose foi o grande mal que aterrorizava as pessoas. Pelo que provocava e o desconhecimento sobre a doença, muito se especulava sobre a moléstia. Diante das baixas chances de tratamento, o clima de Belo Horizonte foi, nas primeiras décadas do século XX, super valorizado no tratamento dos tuberculosos. A capital mineira logo se tornou o ponto de convergência dos infectados pela famigerada “peste branca”.

A própria Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, criada em 1911, teve uma maioria de médicos tuberculosos entre seus fundadores, que aqui vinham em busca da “cura pelo clima”. O prestígio terapêutico do clima belorizontino atraía terapeutas, pacientes e médicos acometidos pela infecção. Logo a cidade se viu repleta de sanatórios particulares, para a ira dos tisiologistas cariocas, que viam seus pacientes migrarem para BH.  Mas também vinha de todo o Brasil uma massa de tuberculosos pobres e desvalidos, em busca da alguma esperança de cura, que nem sempre encontravam. Para cá também vieram alguns notáveis:

 

Noel Rosa

Boêmio e carioca inveterado, o grande sambista Noel Rosa tinha profundas raízes mineiras – três de seus avós nasceram nessas terras –, mas foi só graças à doença que foi encontrar sua ancestralidade montanhesa. Em 1935, obedecendo a recomendação do seu amigo e médico Edgar Mello, numa frustrada tentativa de curar sua tuberculose, Noel se hospedou por quatro meses na casa dos tios Carmem e Mário, na rua São Manoel, na Floresta. E logo tratou de, por aqui, reproduzir a vida boêmia que vivia na Vila Isabel. Participou de programas na antiga Rádio Mineira, que ficava no cruzamento da rua da Bahia com avenida Augusto de Lima, e por lá encontrou vários companheiros de farra.  O diretor artístico da emissora, Roberto Ceschiatti, já falecido, foi um parceiro nas noitadas de Noel. “Eles gostavam de tocar violão até tarde da noite no viaduto Santa Tereza”, contou Andréa Ceschiati, filha de Roberto, em entrevista ao jornal Pampulha.

 

Para Belo Horizonte Noel compôs alguns versos, parodiando a letra de “Looking Over a Four Leaf Clover” (Ouça aqui a versão de Rosa). No clímax, dizia a canção: Belo Horizonte / Deixa que eu conte / Bom mesmo é estar aqui. Mas, apesar da gentileza, a alma do poeta era mesmo carioca, e, segundo seu biógrafo, Didier, em uma conversa com o tio aqui na cidade, ele disse que preferia viver um ano no Rio a dez anos na capital mineira. Por isso Noel tratou logo de relatar melhoras a seu médico Edgar Mello, em uma célebre carta em versos, musicada anos depois pelo sambista João Nogueira (Ouça aqui).

 

 

Gonzaguinha

A peste branca também trouxe a Belo Horizonte o músico e compositor Gonzaguinha, que aqui viveu por 10 anos, ao lado de Louise Margarete Martins – a Lelete – e da filha Mariana, sua caçula. A vida em Minas, mais calma, com longos passeios de bicicleta em torno da lagoa da Pampulha, marcou um período mais introspectivo de sua carreira. O músico dedicava-se a pesquisar novos sons dividindo-se entre longos períodos em casa e demoradas turnês de shows pelo país.

 

Quem se lembra bem da vida de Gonzaguinha em Belo Horizonte é o compositor e poeta Fernando Brant. “Saíamos para passear com os meninos em parques. Toda quarta-feira, a gente jogava bola na Cachoeirinha”, recorda-se Brant, em entrevista ao site Controvérsia. “Em suas primeiras vindas para Belo Horizonte ele ficava aqui em casa, mas depois alugou um imóvel no Sion; em seguida, foi para a Pampulha”, diz Brant.

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