Crônicas

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Praça das Liberdades

Arthur Vianna

Na Praça Raul Soares os homens circulavam no sentido do relógio e as mulheres no sentido inverso. Quando os olhares se encontravam e diziam quero mais, o casal seguia para o interior da praça. Assim funcionava a paquera na época dos nossos pais.

Das muitas praças que conheci nenhuma me conta mais do que a Praça da Liberdade. Mesmo hoje, ela tem sempre alguma coisa para me dizer. Também pudera. Se ela me viu de calça curta, eu a conheci menina-moça. Não conheço todos, mas sei alguns de seus segredos. Seu maior pecado era a sua postura elitista e até mesmo racista. Castro Alves escreveu certo dia que “a praça é do povo, como o sol é do condor”. Não era o que acontecia na Praça da Liberdade de então. A praça era dividida. De um lado, os pobres. Do outro, o lado do coreto e da fonte luminosa, os tidos como bem nascidos. Mas, dizem, o melhor dos lados era o lado dos soldados e das domésticas. Menos iluminada, o namoro era mais seguro. Talvez daí tenha surgido, a boca pequena, o nome de Praça das Liberdades.

Nos anos sessenta, o Gastão e a Maristela Tristão dedicavam-se, na prefeitura de BH, à promoção da cultura e do turismo. Da cabeça dos dois nasceu, para gáudio dos artistas consagrados e emergentes, a Feira Hippie da Praça da Liberdade. Nos primeiros dias, artistas e artesãos apresentavam seus trabalhos em torno do coreto. E, nada acanhado, lá estava eu com os meus bonequinhos de fios sobre um couro de vaca. Hoje, a Feira ganhou a avenida e espraiou-se pela cidade afora.

Mas foi na década de 80 que consegui entrar no coração da Praça da Liberdade. Tancredo, Milton Nascimento e Fernando Brant foram a minha inspiração para, como vereador, dar nome à sua belíssima alameda central: Alameda Travessia. Uma lâmina de vidro próxima ao Coreto revela a letra e conta a história.

No entorno da Liberdade, nasci, cresci e conheci a minha primeira namorada. Da Rua Thomé de Souza 1018, fui nadar e dançar no Minas Tênis, assistir cinema no Pathé, comprar pão na Padaria Savassi, remédio na Drogaria São Félix, ver as novidades na Loja Stella Maris do “seu” Nezinho e conviver com os amigos na Turma do ServBem.

Arthur Vianna publicitário, jornalista e ex-vereador de Belo Horizonte. Nasceu em julho de 1945 na região da Savassi.

www.escritosdoarthur.blogspot.com

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