Crônicas

Veja algumas crônicas sobre os bairros mais famosos de Belo Horizonte

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O Menor Bairro do Mundo

Luís Carlos Silva Eiras

De 63 a 69 eu morei na Lagoinha ” rua Rio Novo ” e posso garantir que se tratava do menor bairro do mundo. Ninguém que morava lá, morava lá. Explico.

Conheci um sujeito que, muito decidido, me disse que morava no Centro da cidade. Descobri depois que ele morava no início da rua Itapecerica, um quarteirão da Praça Vaz de Melo, portanto em plena Lagoinha, mas que, na geografia das apresentações, foi esquecida.

As meninas que moravam na Álvares de Azevedo, Ponte Nova e Araxá moravam, claro, no Alto do Colégio Batista, um bairro que nunca existiu. Conheci uma, que morava na rua Francisco Soucasseux (está é pra programa do Sílvio Santos: onde fica a Francisco Soucasseux?), que não teve dúvidas:
– Moro na Floresta.

O que, convenhamos, é um certo exagero. Em tempo: nós dividíamos as meninas da Lagoinha em profissionais, amadoras e presas dentro de casa, mas isso é outra história.

Já as meninas da Resende Costa, Itatiaia, Jequeri, Turvo e início da Além Paraíba também não tinham dúvidas: moravam no Bonfim.
– No lado de dentro ou no lado fora? %u2013 perguntávamos sempre. (Para quem não entendeu: no bairro do Bonfim fica o cemitério do mesmo nome, daí a pergunta).

Quem morava no final da Além Paraíba, resolvia o problema de outro modo: morava na Praça 12, que descobri mais tarde, também nunca foi bairro.

Por outro lado (literalmente), quem morava na Antonio Carlos, Diamantina e Formiga, igualmente não se apertava:
– Moro na Concórdia – diziam as meninas.

Outras se saiam melhor: moravam num lugar que não era preciso citar o bairro:
– Moramos no Conjunto IAPI. Ou bairro São Cristóvão. (Outro que, como o santo, nunca existiu. O santo foi cassado pelo Paulo VI, mas hoje se encontra reabilitado).

Mas, quem, afinal, morava na Lagoinha? Pouca gente como nós da Rio Novo, o pessoal da Itapecerica (parte final) e da rua Caxambu que, não tendo outra alternativa, assumia orgulhosamente o bairro como um distintivo, uma filosofia, um atestado de experiência e malandragem. Às vezes, até com certo exagero. Um amigo meu, pacato morador da Pedro Leopoldo, dizia para as meninas que morava na Padre Lopes – era assim que nós chamávamos a Pedreira Prado Lopes, favela não tão perigosa quanto hoje.

Anos mais tarde, a praça da Savassi sofreu uma síndrome inversa: seus limites se estenderam pelo Santo Antônio, Centro, Lourdes, São Lucas, São Pedro, Anchieta e Cruzeiro, parecia que todos em Belo Horizonte moravam de alguma maneira na Savassi, transformando-a num dos maiores bairros do mundo. A Lagoinha, pelo que sei, continua um dos menores.

Luís Carlos Silva Eiras é analista de sistema e trabalha na Savassi. Mora no Alto do Colégio Batista e freqüenta o Floresta Tênis Clube – que fica na Lagoinha.

luiscarloseiras@terra.com.br

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