BH na literatura

Veja o que alguns autores famosos escreveram sobre Belo Horizonte em algumas obras consagradas da literatura brasileira.

Pedro Nava

Balão Cativo

“… Belo Horizonte, que lindo nome! Fiquei a repeti-lo e a enroscar-me na sua sonoridade. Era longo, sinuoso, tinha de pássaro e sua cauda repetia rimas belas e amenas. Fonte. Monte. Ponte. Era refrescante. Continha fáceis ascensões e aladas evasões. Sugeria associações cheias de nobreza na riqueza das homofonias. Belerofonte. Laocoonte. Caronte. Era bom de repetir – Belorizonte, Belorizonte, Belorizonte – e ir despojando aos poucos a palavra: das arestas de suas consoantes e ir deixando apenas suas vogais ondularem molemente. Belo Horizonte. Belorizonte, Beoizonte, Beoionte. Fui à nossa sala de visitas e apliquei no ouvido a concha mágica que me abria os caminhos da distância. Ouvi seu ruído helênico e o apelo longínquo – beoioooooo – prolongado como silvo dos trens que subiam de Caminho Novo acima, dobrando o canto dos apitos na pauta das noites divididas.”

Beira Mar

“Quantas vezes tomávamos esse itinerário. Bahia, Álvares Cabral e depois Espírito Santo. Para os lados do Calafate cada transversal nos oferecia o espetáculo de outro horizonte. Aimorés, Bernardo Guimarães. Santa Rita Durão eram verdadeiras bocas de fornalha. Como se o centro da Terra estivesse descoberto e todos os metais e todas as rochas estivessem em fusão derramando-se em ondas oceano ruivo maré montante dos limites mais distantes. Seguíamos olhos cegos parando em cada esquina nos inundando de luz. Subíamos Santa Rita Durão e parávamos no canto, para mim ominoso, da Diretoria de Higiene toda fechada àquela hora. Dali olhávamos o farol do Posto Veterinário e os espetáculos que se desenrolavam no horizonte belo. O sol, alto ainda, não diferenciara a linha do infinito onde se preparava a cuba em que ele, como Petrônio, morria todas as tardes dentro do banho que sua sangria ia tornando cada vez mais rubicundo. Naquele momento nuvens que pareciam inespessas formavam cortina cheia de ângulos duros e superfícies espelhantes que viravam gigantescos icebergs ou Andes de picos brancos desprendidos de sua base terrestre suspensos ali. Mas durava pouco esse gelo e logo o deus descendo começava sua transmutação plutônica. Suas camadas endureciam em vidro, em cristal de rocha mais apanhado, num quartzo brancacento em lascas de basalto, calhaus de cimento e alvo calcário, cinza e alizarina. Já esse giz se cozia mais, queimava, ficava arenoso – dourado como o grês, como o pão no ponto. Depois era um derramar de opalas, pérolas, pedras de lua, ametistas amarelo-mel, cabochões gigantescos de rubi e a invasão do goles e da púrpura logo viradas ferrugem de pórfiro e finalmente em sangue vivo e aceso. O sol com seu contorno roído como moeda velha e gasta descia dentro do tumulto e do terremoto das rochas que sua luz fizera da nuvens – agora de galena cinza e parda, cinza e negro grafita, negras da areia negra do esmeril. Fora-se toda a luz e descíamos esvaziados as ruas começando a se iluminar.”

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