BH na literatura

Veja o que alguns autores famosos escreveram sobre Belo Horizonte em algumas obras consagradas da literatura brasileira.

Eunice Vivacqua

Lembrar Para Lembrar

“A Praça hoje não é a mesma, mas nunca deixou de existir para mim, habitando o meu presente como antigamente. Porque eu a reinvento com todos os meus sentidos. Sua mensagem visual, como um livro ilustrado de flores colorida, gravou-se em minhas retinas. A atmosfera perfumada das magnólias, rosas, cravos e manacás paira no ar. O gostinho azedo da haste tenra do capim brotado depois das chuvas ainda me enche a boca d%u2019água.

A maciez de veludo do amor-perfeito, o desfolhar das rosas púrpura e chá e o contato excitante com a água da fonte impregnaram minha pele. Os sons retumbantes dos dobrados tocados no coreto continuam a vibrar em meus ouvidos. Posso ainda escutar o ritmo das botinas pretas, desfilando nas paradas cívicas; os gritos de susto com o apito do guarda, no roubo de amor-perfeito; o pio da cambaxirra e das rolinhas nos fios de luz e a zoeira das cigarras nas tardes mornas, preguiçosas e violáceas… Armazeno as múltiplas e longínquas ressonâncias de seus sons. Tudo é poético, lírico, lúdico, jamais se perdendo dentro de mim…

Na Praça da Liberdade de então, a vida pulsava em desejos e segredos democraticamente divididos para todos os tipos de coração. O lago, com o chorão debruçado sobre ele, nos chamava a nos mirarmos em suas águas, nelas mergulhar as mãos ou atirar pedrinhas roliças para fazê-las ricochetear na superfície espelhada das águas ou nos encantarmos com círculos formados sobre elas. O que não sabíamos, naquela época, é que a brincadeira do ricochete era conhecida em todo o mundo e, muitos anos antes de Cristo, fora praticada por crianças gregas e romanas.
Os preparativos de minhas irmãs para o famoso footing da Praça da Liberdade marcaram minha infância de alegre expectativa em relação aos domingos. Os vestidos saíam dos armários de grandes espelhos e era difícil escolher um entre tantos e tão lindos: organdi suíço, cambraia com renda ou bordado inglês, farfalhante tafetá ou chamalote, romântica laise. Uma caixa repleta de flores de gaze e cetim era despejada em cima da cama pra se escolher a flor do vestido: camélia, violeta, miosótis, ou rosa muguet.

Enfim, depois de uma última reviravolta em frente ao espelho, minhas irmãs partiam bem catitas, com suas cinturas de vespas marcadas pelas faixas largas.”

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